Rugas mais marcadas, ressecamento, perda de firmeza, coceira e uma aparência mais opaca podem surgir ou se intensificar na transição menopausal. Muitas mulheres interpretam essas mudanças apenas como consequência da idade, mas a queda do estrogênio também interfere diretamente na estrutura e no funcionamento da pele.
O dado chama atenção: estudos dermatológicos estimam que os colágenos tipos I e III podem diminuir em até 30% nos primeiros cinco anos após a menopausa. Não significa que todas as mulheres perderão exatamente essa proporção, mas mostra que o período de deficiência estrogênica pode acelerar um processo que já acontecia gradualmente com o envelhecimento.
Ao mesmo tempo, uma pesquisa global apresentada no IMCAS 2026 revelou um grande hiato de informação. Mais da metade das participantes disse ter descoberto os efeitos da menopausa sobre a pele somente depois de vivenciá-los.
O que a pesquisa global encontrou
A pesquisa foi apresentada como pôster no congresso International Master Course on Aging Science em Paris. Foram ouvidas mais de 4.300 mulheres de 45 a 60 anos, na peri ou pós menopausa, em nove países de cinco continentes, incluindo o Brasil.
As participantes relataram, em média, três mudanças na pele do rosto e do corpo desde o início da menopausa. Entre as alterações faciais mais citadas estavam:
· linhas e rugas em 59% das participantes
· perda de firmeza e elasticidade em 58%
· aumento do ressecamento em 56%
· tom de pele mais opaco em 40%
No corpo, 58% relataram ressecamento e 54% perda de firmeza e elasticidade. O impacto geral das mudanças foi avaliado com intensidade média de seis em uma escala de zero a dez.
O desconhecimento apareceu com a mesma força. Mais de 50% aprenderam sobre o efeito da menopausa na pele somente ao passar pela experiência. Mais de 30% gostariam de ter recebido essa informação ainda na faixa dos 30 anos, e mais de 60% afirmaram que teriam agido de forma diferente se soubessem antes.
O que precisa ser considerado ao interpretar os dados
A pesquisa foi promovida pela Galderma, empresa do setor dermatológico, e incluiu mulheres que já haviam realizado ou estavam abertas a tratamentos estéticos. Por isso, os resultados ajudam a mostrar percepções, sintomas e lacunas de informação, mas não devem ser usados para estimar a frequência das alterações em todas as mulheres nem para comprovar a eficácia de um tratamento específico.
Por que o estrogênio importa para a pele
A pele possui receptores de estrogênio e responde às mudanças hormonais. Na derme, o hormônio participa da atividade dos fibroblastos, células envolvidas na produção de colágeno, elastina e outros componentes da matriz extracelular. O estrogênio também influencia a espessura da pele, a vascularização, a cicatrização, a produção de ácido hialurônico e a capacidade de reter água.
Com a redução hormonal, podem ocorrer menor síntese de colágeno, maior degradação da matriz de sustentação, perda de elasticidade e enfraquecimento da barreira cutânea. Na prática, a pele pode ficar mais fina, seca, sensível, flácida e propensa a rugas e coceira.
O envelhecimento da pele não é apenas hormonal
Menopausa e idade cronológica acontecem no mesmo período, mas não são sinônimos. Exposição solar acumulada, tabagismo, poluição, genética, alimentação, qualidade do sono, consumo de álcool e doenças clínicas também influenciam a perda de colágeno. A intensidade e o momento das mudanças variam entre as mulheres.
De onde vem o número de 30 por cento
A estimativa não nasceu na pesquisa do IMCAS. Ela deriva de estudos dermatológicos anteriores, reunidos em revisões científicas sobre estrogênio e envelhecimento cutâneo. Essas publicações descrevem redução de até 30% dos colágenos tipos I e III nos cinco primeiros anos após a menopausa e queda aproximada de 2% ao ano em parte do período posterior.
O uso da expressão até 30% é importante. Trata-se de uma estimativa de perda possível, baseada em estudos com metodologias e populações específicas, e não de uma previsão individual. Ainda assim, o número ajuda a explicar por que algumas mulheres percebem mudanças relativamente rápidas no espelho.
E a revisão publicada em 2026
A revisão narrativa indicada reuniu estudos sobre colágeno oral, curcumina e glutationa na saúde da pele de mulheres com redução dos níveis de estrogênio. Os autores identificaram 23 estudos clínicos publicados entre 2020 e 2025 que relataram benefícios do colágeno oral em diferentes parâmetros cutâneos.
No entanto, uma revisão narrativa não possui o mesmo rigor de seleção e síntese de uma revisão sistemática. Os estudos variam em formulação, dose, duração, tamanho da amostra e desfechos avaliados. A própria publicação conclui que os resultados são promissores, mas que ainda são necessárias mais pesquisas, especialmente para curcumina, glutationa, combinações e esquemas de dose.
O que pode ajudar a proteger a pele
Não existe uma estratégia capaz de impedir completamente a perda de colágeno. Algumas medidas, porém, ajudam a reduzir danos adicionais e a manter a barreira cutânea:
· usar protetor solar de amplo espectro diariamente e reaplicar conforme a exposição
· hidratar a pele com produtos adequados ao grau de ressecamento e sensibilidade
· preferir limpeza suave e evitar banhos muito quentes ou demorados
· não fumar e reduzir exposições que aceleram a degradação do colágeno
· manter alimentação variada, com fontes suficientes de proteína e vitamina C
· praticar atividade física e cuidar do sono
· buscar avaliação dermatológica diante de coceira persistente, lesões, acne, rosácea, queda de cabelo ou mudanças intensas
Retinoides, antioxidantes, procedimentos dermatológicos e suplementos podem ser considerados em alguns casos, mas não são necessários nem adequados para todas. A escolha depende do tipo de pele, dos sintomas, do histórico clínico, dos medicamentos em uso e dos objetivos de cada mulher.
Terapia hormonal não é tratamento estético
Estudos mostram que a terapia hormonal pode influenciar espessura, hidratação e colágeno da pele. Isso não significa que deva ser prescrita apenas para prevenir rugas ou tratar flacidez. Sua indicação principal está relacionada aos sintomas do climatério e à saúde global, após avaliação individual de benefícios, riscos e contraindicações.
Também não se deve aplicar estrogênio tópico cosmético ou manipulado no rosto sem orientação médica. Formulação, absorção sistêmica, dose e segurança precisam ser avaliadas por profissionais habilitados.
Informação antes da mudança
A principal mensagem não é que toda mulher precise iniciar tratamentos estéticos ou tomar suplementos. É que a pele também faz parte da menopausa e merece entrar na conversa antes que as mudanças gerem surpresa, desconforto ou ansiedade.
Reconhecer a relação entre estrogênio e pele permite ajustar os cuidados, investigar doenças dermatológicas e tomar decisões com expectativas realistas. Envelhecer não é uma falha a ser corrigida, mas informação de qualidade amplia as possibilidades de cuidado.
Importante
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica ou dermatológica. Suplementos, hormônios e procedimentos podem ter contraindicações, interações e resultados variáveis.
Referências
1. Fabi SG et al. The potential role of biostimulators and dermal fillers to address menopause related skin conditions. Pôster apresentado no IMCAS World Congress. Paris, 29 a 31 de janeiro de 2026.
2. Galderma. Menopause Patient Survey. Dados apresentados no IMCAS 2026. Comunicado de 30 de janeiro de 2026.
3. Arbex P, Lephart ED. Collagen Curcumin and Glutathione to Enhance Dermal Health in Aging Women with Declining Estrogen Levels. Dermatology and Therapy. 2026;16:2705 a 2729. doi 10.1007/s13555-026-01731-z.
4. Thornton MJ. Estrogens and aging skin. Dermatoendocrinology. 2013;5:264 a 270. doi 10.4161/derm.23872.
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