Como aliviar os fogachos da menopausa: 7 caminhos

Mulher sentindo fogachos da menopausa

Você está numa reunião, no ônibus ou dormindo tranquila e, de repente, uma onda de calor sobe pelo peito, invade o rosto e vem o suor. Passa em alguns minutos, mas deixa aquele desconforto. Se isso soa familiar, saiba: você não está exagerando, e existe muita coisa que pode ser feita. Neste guia, reunimos como aliviar os fogachos da menopausa com base no que a ciência realmente mostra, sem promessas mágicas.

Por que os fogachos acontecem

Os fogachos (ou ondas de calor) são o sintoma mais comum da transição menopausal. A queda e a oscilação do estrogênio afetam o “termostato” do cérebro, no hipotálamo, deixando-o mais sensível a pequenas variações de temperatura. O corpo então “acha” que está superaquecido e dispara o mecanismo de resfriamento: vasos dilatam, o sangue vai para a pele e vem o calor e o suor.

À noite, esse mesmo processo aparece como suores noturnos, um dos maiores vilões do sono nessa fase. A boa notícia é que dá para agir em várias frentes.

7 caminhos com respaldo científico

1. Terapia hormonal: a opção mais eficaz para os sintomas

A terapia hormonal da menopausa (TRH) é, até hoje, o tratamento mais eficaz para os fogachos, segundo as recomendações da International Menopause Society (IMS). Para muitas mulheres, ela reduz de forma expressiva a frequência e a intensidade das ondas de calor.

Isso não significa que serve para todo mundo. Existem contraindicações, e a decisão depende do seu histórico, da sua idade e do tempo de menopausa. Por isso, a TRH deve ser sempre conversada com um profissional que conheça o seu caso, e nunca iniciada por conta própria.

2. Medicamentos não hormonais que funcionam

Nem toda mulher pode ou quer fazer terapia hormonal, e aqui a ciência avançou bastante. A 2023 Nonhormone Therapy Position Statement, publicada por The Menopause Society na revista Menopause (2023), reconhece com boa evidência opções não hormonais como certos antidepressivos em doses específicas (paroxetina, venlafaxina, desvenlafaxina, escitalopram) e a gabapentina.

São medicamentos de prescrição, com indicações e efeitos próprios. O recado é claro: existem alternativas eficazes além dos hormônios, mas quem define é o profissional de saúde.

3. Fezolinetante: a novidade da vez

O fezolinetante é uma medicação não hormonal que age diretamente naquele “termostato” cerebral desregulado. No estudo de fase 3 SKYLIGHT 1, publicado por Lederman e colaboradores na The Lancet (2023), ele reduziu de forma significativa a frequência e a intensidade dos fogachos moderados a graves em comparação com placebo, já a partir da primeira semana.

É uma opção promissora, também reconhecida pela The Menopause Society (2023). Vale saber que é um medicamento novo, ainda com acesso limitado no Brasil, e igualmente de prescrição médica.

4. Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

Pode parecer estranho tratar calor com terapia, mas funciona. Uma revisão sistemática e meta-análise de Ye e colaboradores, publicada na Psychological Medicine (2022), reuniu 14 estudos randomizados (1.618 mulheres) e mostrou que a terapia cognitivo-comportamental reduz os fogachos de forma consistente.

A TCC ajuda a mudar a maneira como você percebe e reage à onda de calor, o que diminui o incômodo e o impacto no dia a dia. Por isso, ela também está entre as opções recomendadas pela The Menopause Society (2023).

5. Cuidar do peso corporal

O excesso de peso está associado a fogachos mais frequentes e intensos. A declaração da The Menopause Society (2023) cita a perda de peso como estratégia com evidência para reduzir os sintomas vasomotores em mulheres com sobrepeso. Não é sobre estética: é sobre conforto térmico e qualidade de vida.

6. Soja e isoflavonas: o que dá para dizer

Aqui a evidência é controversa. Uma meta-análise de Taku e colaboradores, publicada na Menopause (2012), encontrou redução na frequência e na intensidade dos fogachos com isoflavonas de soja extraídas. Por outro lado, a própria The Menopause Society (2023) considera que as evidências ainda são insuficientes para recomendar formalmente soja e suplementos para esse fim.

Traduzindo: incluir alimentos à base de soja na rotina faz parte de uma alimentação saudável e pode ajudar algumas mulheres, mas não espere um efeito garantido, e desconfie de suplementos vendidos como solução milagrosa.

7. Ajustes no ambiente e no estilo de vida

Roupas leves e em camadas, ambientes mais frescos, um leque à mão e reduzir gatilhos como bebidas muito quentes e álcool são medidas de bom senso que muitas mulheres relatam ajudar no conforto.

Um ponto de honestidade científica: técnicas como respiração pausada, isoladamente, não se mostraram eficazes para reduzir os fogachos na análise da The Menopause Society (2023). E exercício e ioga, embora excelentes para saúde cardiovascular, humor e sono, não têm evidência robusta como tratamento direto das ondas de calor. Vale muito a pena praticar, só não como “cura” do fogacho.

O que muda na prática

Se os fogachos atrapalham seu dia ou seu sono, saia do modo “aguentar calada”. Comece assim:

  • Anote quando e com que intensidade os fogachos acontecem por 1 a 2 semanas.
  • Ajuste o ambiente: roupas em camadas, quarto mais fresco e menos álcool e bebidas quentes.
  • Leve seus registros a uma consulta e converse sobre as opções: da terapia hormonal às alternativas não hormonais.
  • Se o incômodo emocional é grande, considere a TCC como apoio real, e não como último recurso.
  • Cuide do sono e da alimentação como base, não como substitutos do tratamento.

O mais importante: fogacho não é frescura nem algo que você “tem que suportar”. É um sintoma tratável, e você tem direito a se sentir bem.

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Referências

The Menopause Society (NAMS). The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause, v. 30, n. 6, 2023.

Lederman S. et al. Fezolinetant for treatment of moderate-to-severe vasomotor symptoms associated with menopause (SKYLIGHT 1): a phase 3 randomised controlled study. The Lancet, 2023.

Ye M. et al. Efficacy of cognitive therapy and behavior therapy for menopausal symptoms: a systematic review and meta-analysis. Psychological Medicine, v. 52, n. 3, 2022.

Taku K. et al. Extracted or synthesized soybean isoflavones reduce menopausal hot flash frequency and severity: systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Menopause, v. 19, 2012.

International Menopause Society (IMS). Recommendations on women’s midlife health and menopause hormone therapy (management of vasomotor symptoms).

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